A ESTRADA

Fosse novela fácil de ser lida (e digerida), “A Estrada” não teria muito de diferente de tantas e tantas visões de mundos apocalípticos que a literatura, o cinema, os quadrinhos e a televisão (saudades de Twilight Zone) já nos brindou. Mas ao contrário de “A Última Esperança na Terra” (não vi esse remake com o Will Smith nem quero ver), não sobrou absolutamente nada no pós-destruição do livro de Cormac McCarthy. Sem citar o que, como e quando foi o cataclisma, o autor só deixa claro que nada sobrou. O mundo não passa de cinzas espalhadas por todos os cantos, árvores tombadas e carborizadas, vidro derretido e congelado sobre as janelas “como confeito de bolo”, rios e vales secos e um mar “cor de chumbo”. Nesse deserto acidentado, onde uma das únicas coisas que resistem é o asfalto das estradas, caminham um pai e um filho, anônimos ao leitor. Ao mesmo tempo em que vagam rumo à costa litoral, sem saber o que vão encontrar por lá, eles precisam evitar cruzarem o caminho de outros sobreviventes que, na loucura da fome, tornaram-se caçadores e canibais.

Ao contrário desses mundo pós-apocalípticos já imaginados anteriormente, o presente de “A Estrada” se dá vários anos depois da destruição. Portanto, quase não sobraram mantimentos, cobertores e água: o que havia já fora consumido e o que ainda existe está bem escondido, dentro de porões e bunkers. Apenas o que se vê intactos são concreto e metal. O sol mal aparece sobre o céu acinzentado e a noite vem rápida para os poucos miseráveis que sobraram no mundo. Sendo assim, já nas primeiras páginas sabemos que daquele mato não sai coelho, e que tudo só irá piorar. Não aparecerá exército para salvar ninguém, e o que aquele pai e filho têm pela frente é nada mais que o aprendizado da jornada - principalmente para o menino, que já nasceu naquele mundo, e tudo o que conhece é o medo, a fome e a sede. O resto é o mais puro breu.

Uma visão de mundo que só poderia vir mesmo de um autor de 74 anos.


Cormac McCarthy

“Quando todos tivermos morrido pelo menos não haverá ninguém aqui além da morte e seus dias estarão contados também. Ela vai estar aqui na estrada sem nada para fazer e sem ninguém a que fazer. Ela vai dizer: Para onde foi todo mundo? E é assim que vai ser. O que há de errado com isso?”

8 Respostas para “A ESTRADA”

  1. Churrasqueiro Pereira Disse:

    Não conhecia.
    Entrou pra listinha de autores a se procurar no sebo.
    :)

  2. RD Disse:

    a Oprah fez até um programa inteiro sobre o livro hehe conseguiu até o fato raríssimo do Cormac dar entrevista!

    12,90 nas Americanas, comprei com frete grátis hehe

    tenho também pra ler Meridiano Sangrento, Todos Os Belos Cavalos, A Travessia e Cidades Da Planície

    o bom que ele não era conhecido então se achava em promos ou mesmo sebos baratinho, agora com o filme dos Coens os preços aumentaram hehehe

  3. Churrasqueiro Pereira Disse:

    12,90 aumentou aonde? Eu paguei 30.

  4. RD Disse:

    só o Estrada baixou, não sei pq, o mais antigos que se achavam por 9,90 / 19,90 agora estão por 40 e tantos…

    tem uma matéria de 1999 no Estadão (tradução do New York Times) que vale ler, só não sei o mês ou o dia (mas o google deve achar), foi por lá que o conheci

  5. perdido Disse:

    cabei de comprar!! uhuuu!!

  6. Leandro Caraça Disse:

    Está sendo filmado neste instante pelo John Hillcoat (”A Proposta”) com o Viggo Mortensen no papel principal.

  7. Churrasqueiro Pereira Disse:

    sim Leandro, esqueci de comentar. E com música do Nick Cave e Warren Ellis e Robert Duvall interpretando o velho na estrada. A equipe que pedi a Deus.

  8. Leandro Caraça Disse:

    Meridiano Sangrento pode ir a ser adaptado pelo Ridley Scott. Eu gostaria que fosse o Hillcoat, os Coen ou quem sabe o David Lynch. De todos o que li, é o melhor livro do McCarthy. Parece um filho bastardo e revoltado de Peckinpah com Garth Ennis.

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